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  • Biblioteca Escolar - Escola Secundária de Vila Real de Santo António
  • sábado, março 21, 2009

    AMAR OS POETAS

    O POEMA

    Um poema cresce inseguramente
    na confusão da carne.
    Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
    talvez como sangue
    ou sombra de sangue pelos canais do ser.

    Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
    ou os bagos de uva onde nascem
    as raízes minúsculos do sol.
    Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
    do nosso amor,
    rios, a grande paz exterior das coisas,
    folhas dormindo o silêncio
    - a gora teatral da posse.

    E o poema cresce tomando tudo eu seu regaço.

    E já nenhum poder destrói o poema.
    Insustentável, único,
    invade as casas deitadas nas noites
    e as luzes e as trevas em volta da mesa
    e a força sustida das coisas
    e a redonda e livre harmonia do mundo.
    - Em baixo o instrumento perplexo ignora
    a espinha do mistério.

    - E o poema faz-se contra a carne e o tempo.

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