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terça-feira, outubro 06, 2009

sexta-feira, setembro 18, 2009

Vicente Campinas



A. Vicente Campinas
[Vila Nova de Cacela, 1910 - Vila Real de Santo António, 1998]

Poeta, ficcionista e jornalista profissional. De 1937 a 1939 dirigiu o semanário Foz do Guadiana, suspenso pela censura de Salazar. Dirigiu igualmente o quinzenário Jornal de Cinema. Colaborou nos jornais regionais: Jornal do Algarve, Correio do Sul, Barlavento, O Algarve, A Planície, Bandarra, Gazeta do Sul e Notícias da Amadora, Diário do Sul, Diário do Alentejo e Jornal do Barreiro. Também colaborou em revistas e jornais de Lisboa, Coimbra e do Porto, como O Diabo (década de 30), Sol Nascente, Áquila, Cinéfilo, Pensamento, Vértice, Quatro Ventos, República. O seu primeiro romance, Fronteiriços, editado em 1953, foi imediatamente proibido e apreendido pela PIDE (polícia política do regime de Salazar). Segredo no Meio do Mar, é o relato de dez dias passados no «segredo» da fortaleza de Peniche, onde esteve preso em 1950 por se opor à ditadura salazarista.

Da sua poesia afirmou João Rui de Sousa ser «a memória que – não pondo de parte a pulsão de uma bem vincada positividade moral, o aceno de uma fraternidade mesmo se apenas sonhada – testemunha sobretudo os olhos cansados pela ira do abandono, os colapsos de frio e de sono, de destroços, de aconteceres existencialmente menos felizes». Sobre os seus romances, José Manuel Mendes diz serem «bem a denúncia das injustiças sociais, um painel realista, não eufemizado, da desgraça a que são condenados os sem eira nem beira num universo de opressão». Vergílio Alberto Vieira chama a atenção para a coragem desta escrita «que ganha raiz em pleno salazarismo e chega ao nosso tempo com a limpidez só pela autenticidade popular assumida».

sábado, março 21, 2009

AMAR OS POETAS

O POEMA

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne.
Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva onde nascem
as raízes minúsculos do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
rios, a grande paz exterior das coisas,
folhas dormindo o silêncio
- a gora teatral da posse.

E o poema cresce tomando tudo eu seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as casas deitadas nas noites
e as luzes e as trevas em volta da mesa
e a força sustida das coisas
e a redonda e livre harmonia do mundo.
- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

- E o poema faz-se contra a carne e o tempo.