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  • Biblioteca Escolar - Escola Secundária de Vila Real de Santo António
  • domingo, junho 01, 2008

    PARA AS CRIANÇAS

    A CRIANÇA E A LUA

    A lua e a criança jogam
    um jogo que ninguém vê;
    sem olhar vêem-se, falam
    uma língua de pura mudez.
    O que dizem, ou ocultam,
    a contar um, dois, três,
    ou três, dois, um
    para voltar a contar?
    Quem ficou dentro do espelho,
    lua, para tudo ver?
    A criança está feliz e só:
    a lua roça os seus pés como a neve na madrugada,

    como o azul do amanhecer;
    nas duas faces do mundo
    - a que ouve, e a que vê -
    cindiu-se o silêncio,
    a luz cintila no outro lado
    das mãos, que seguem a procurar quem sabe o quê
    no instante de ninguém
    que passa onde jamais foi.

    A criança existe e joga
    um jogo que ninguém vê.

    Mariano Brull (1891-1956, Cuba)

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