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  • Biblioteca Escolar - Escola Secundária de Vila Real de Santo António
  • sexta-feira, outubro 27, 2006

    VALE A PENA LER E RELER


    Apresentação do livro O Último Papa

    Quando um livro pede para ser apresentado, pede o nosso tempo, a nossa atenção. E silêncio também. Para ouvir os sentidos que se desvendam a partir dos contornos das letras e dos sinais.
    Porém, outra voz se fez ouvir. Também. A do poeta Caeiro. Veio em meu auxílio. Juntos tentámos escutar os murmúrios, alguns mais perceptíveis do que outros. Vento suave que se erguia lentamente das folhas. Eis o que escutámos:

    Aqui está um livro que incomoda. Como diria o poeta “Pensar incomoda como andar à chuva..
    Este thriller cheio de suspense e acção parte de um facto real: a morte de João Paulo I. A intriga, desenvolvida num estilo vivo e dinâmico, gira à volta do motivo da sua morte, motivo esse que se afasta da verdade histórica. E ficamos a saber pela trama que a morte do Papa foi pensada, delineada e executada por outros. Portanto, não morreu de enfarte, como a verdade histórica nos faz crer. O que sabia este Papa de tão tenebroso? Que reformas tinha em mente para o Vaticano? Por que razão dispensou serviços de antigos servidores e requisitou outros?
    Pensar incomoda como andar à chuva.

    Sabemos ainda que o autor teve acesso a documentos que podem pôr em causa a verdade histórica. O que pensar, então? Que o autor não interpretou correctamente as fontes e brinda-nos com um final fantasioso e macabro? Ou serve-se da ficção para esconder a verdade ?
    Pensar incomoda como andar à chuva”.


    A escrita inquieta e inquietante desvenda mensagens muito incómodas que não chegaram a ver a luz do dia. A urgência de alguns objectivou-se num plano para silenciar Sua Eminência para sempre. E se tiver sido mesmo assim? Onde está o poder que quer viver submerso na sombra? Para onde nos conduz? Onde está a verdade? Onde se esconde a mentira?
    Pensar incomoda como andar à chuva..


    Que pensar de Deus que se mantém silencioso vendo os homens matarem-se enleados na própria teia? Que dizer do seu silêncio perante o dedo inquiridor dos homens?
    O poeta ajuda-nos mais uma vez:
    Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
    Porque Deus quis que não o conhecêssemos,
    Por isso se nos não mostrou...

    E acrescento eu: Por isso, escondeu-se no coração dos homens.
    Pensar incomoda como andar à chuva



    Que pensar sobre a religião? Que manipula o pensamento do homem para manter o poder sobre o próximo? Que nos atormenta com as penas infernais para nos manter acorrentados ao medo? Que manipula a informação para esconder comportamentos menos dignos?
    Pensar incomoda como andar à chuva



    No labirinto confuso do nossos pensamentos, no marulhar inquieto das dúvidas e das hipóteses há uma voz límpida que nos resgata e se impõe ouvir: “Religião? Quem é que falou em religião? Deus não tem nada a ver com isto.”

    Profª Ana Luísa Cavaco

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