sexta-feira, junho 05, 2020

JUNHO - Novidades na BE

A Ignorância

de Milan Kundera 

SINOPSE
"A história de uma mulher e de um homem que se encontram por acaso durante a viagem de regresso ao seu país natal, de onde emigraram vinte anos antes, é o catalisador de uma excepcional reflexão sobre um fenómeno que atingiu, no século XX, uma dimensão sem igual na história: a emigração. Depois de A ImortalidadeA Lentidão e A Identidade, romances que parecem fazer parte de um projecto maior, Kundera propõe com A Ignorância mais uma pujante análise da condição humana e da contemporaneidade, como habitualmente, assente num discurso com tanto de irónico como de corrosivo."

JUNHO - Novidades na BE


NATIONAL GEOGRAFPHIC
MAIO 2020


  • Para onde foram todos os insectos?
  • Coronavírus: a saúde global na mira
  • Os adultos com autismo
  • Tompkins Conservation: um exemplo no sul
  • Acampamentos inuit
  • A visão celestial do Hubble


quinta-feira, junho 04, 2020

JUNHO - Novidades na BE

Dom Casmurro

de Machado de Assis 

SINOPSE
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para a Formação de Adultos como sugestão de leitura.
"Dom Casmurro conta a história de Bento Santiago (Bentinho), apelidado de Dom Casmurro por ser calado e introvertido. Em adolescente apaixona-se por Capítu, abandonando o seminário e, com ele, os desígnios traçados por sua mãe, Dona Glória, para que se tornasse padre. Casam-se e tudo corre bem, até o amor se tornar ciúme e desconfiança. É esta a grande questão que magistralmente Dom Casmurro expõe ao longo de 148 capítulos: a dúvida que paira ao longo de toda a obra sobre a possibilidade de traição de Capítu, agravada pela extraordinária semelhança do filho de ambos, Ezequiel, com o grande amigo de Bentinho."

JUNHO - Novidades na BE

Livre

de Cheryl Strayed


SINOPSE
2Aos 22 anos, Cheryl Strayed achou que tivesse perdido tudo. Após a repentina morte da mãe, a família se distanciou e seu casamento desmoronou. Quatro anos depois, aos 26 anos, sem nada a perder, tomou a decisão mais impulsiva da vida: caminhar 1.770 quilômetros da Pacific Crest Trail (PCT) – trilha que atravessa a costa oeste dos Estados Unidos, do deserto de Mojave, através da Califórnia e do Oregon, em direção ao estado de Washington – sem qualquer companhia. Cheryl não tinha experiência em caminhadas de longa distância e a trilha era bem mais que uma linha num mapa. Em sua caminhada solitária, ela se deparou com ursos, cascavéis e pumas ferozes e sofreu todo tipo de privação. Em Livre, a autora conta como enfrentou, além da exaustão, do frio, do calor, da monotonia, da dor, da sede e da fome, outros fantasmas que a assombravam. “Todo processo de transformação pessoal depende de entrega e aceitação”, afirma. Seu relato captura a agonia, tanto física quanto mental, de sua incrível jornada; como a enlouqueceu e a assustou e como, principalmente, a fortaleceu. O livro traz uma história de sobrevivência e redenção: um retrato pungente do que a vida tem de pior e, acima de tudo, de melhor."

quarta-feira, junho 03, 2020

JUNHO - Novidades na BE

Mrs. Dalloway

de Virginia Woolf 



SINOPSE
"«Publicado em 1925, Mrs. Dalloway é o primeiro dos romances de Virginia Woolf que subverte a narrativa tradicional. O título inicial do livro era As Horas, uma referência ao tempo em que a acção decorre. A I Grande Guerra terminou, o calor do Verão invade Londres e Clarissa, Mrs. Dalloway, prepara-se para dar uma das suas festas. Mas quando a noite se aproxima, a chegada de Peter Walsh, o seu primeiro amor regressado da Índia, vai despertar o passado, trazendo-lhe à memória os sonhos adolescentes e a discussão que muitos anos antes a precipitou num casamento sem fulgor. De súbito, Clarissa tem consciência da força da vida em seu redor, de Peter inalterado e contudo diverso, e da sua filha Elizabeth que se está a tornar uma mulher. Virginia Woolf expõe assim diferentes modos de sentir, evocando, mais que o espírito do tempo, o espírito da própria vida no olhar de cada."

JUNHO - Novidades na BE

A VILA REAL, ÀQUELA
estórias
de Manuel Gomes

"Manuel Gomes é o poeta da cidade. A questão não te a ver com escreverem-se versos ou prosa corrida. Manuel Gomes é o poeta da cidade porque nos devolve Vila Real de Santo António pelo lado da revelação e do milagre. E a poesia, não raro, reverte disso mesmo: de um modo de olhar as coisa que as transfigura aos olhos dos outros ou as ilumina até à surpresa de se compreender que apenas a essa luz, e apenas a partir de então, podiam ter existido."
José Carlos Barros

JUNHO - Novidades na BE


O Grande Gatsby

de F. Scott Fitzgerald

SINOPSE
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.
A existência de F. Scott Fitzgerald coincide literariamente com os dois decénios que separam as duas guerras, repartindo-se entre a América onde nasceu, numa pacata cidade do Middle West, no Minnesota, e a França, onde viveu durante vários anos com a família. O seu nome evoca-nos uma geração que associamos à lendária idade do jazz, vertiginosa e fútil. Fitzgerald pertenceu a essa geração, foi um dos seus arautos. A sua vida tão precocemente visitada pela fama, e tão cedo destruída, é a carne e o sangue de que é feita a sua obra. O Grande Gatsby é o seu maior romance, talvez porque nele se fundem com rara felicidade essa matéria-prima, a sua própria experiência de vida, e uma linguagem de grande qualidade poética.



terça-feira, junho 02, 2020

JUNHO - Novidades na BE

Espreita a ciência

de Alex Frith e Colin King 


SINOPSE
"Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para apoio a projetos relacionados com Temas Científicos nos 3º, 4º, 5º e 6º anos de escolaridade."
"De que é feito o Universo? Qual é a origem da vida? Qual é a parte mais pequena em que se pode dividir a matéria? Há milhares de anos que os cientistas estudam estes e outros mistérios. Este livro revela algumas das coisas maravilhosas que eles têm vindo a descobrir."

JUNHO - Novidades na BE


          O Abençoado de AFONSO CRUZ

          As Súplicas de JOÃO TORDO





O Abençoado de AFONSO CRUZ

"Estes são os derradeiros dias de Isaac, um livreiro, editor e bibliófilo judeu, que vivia em Dresden durante a Segunda Guerra Mundial, cidade onde viu o seu melhor amigo ser alvejado e onde, pouco tempo depois, conheceu a mulher com quem haveria de viver toda a sua vida."

As Súplicas de JOÃO TORDO

"Num Japão efabulado do princípio do século XX, Katsuro, filho do despótico governador de Shimane, e Ichiro, o seu melhor amigo, rivalizam pela conquista de dois ilhéus e o amor de uma rapariga, desonrando o nome da família."

JUNHO - Novidades na BE

NATIONAL GEOGRAFPHIC
ABRIL 2020

       COMO PERDEMO O  PLANETA                                     COMO SALVÁMOS O MUNDO      

  • UM MUNDO PERDIDO                                               - O CAMINHO PARA 2070
  • O MUNDO EM 2070                                                    - EM LUTA PELO SEU FUTURO
  • CINQUENTA ANOS DE ESTRAGOS                         - CINQUETA ANO DE PROGRESSO

segunda-feira, junho 01, 2020

JUNHO - Novidades na BE

FERNANDO PESSOA
PROSA CRÍTICA e ensaística

"Apesar de Pessoa ter morrido relativamente novo, em 1935, a prosa crítica que publicou em vida é substancial e bastaria para o considerar o crítico mais importante de toda a história da literatura portuguesa. A maioria dos textos que aqui se incluem foi de facto publicada pela primeira vez antes de 1935, geralmente em jornais e outras publicações periódicas, onde Pessoa teve uma presença constante, embora pouca gente lhe tivesse dado na altura grande importância."
Prefácio de Miguel Tamen

sexta-feira, maio 29, 2020

FERRAMENTAS ÚTEIS PARA OS ALUNOS PORTADORES DE NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS



 Potencial auxílio - Extensões do Google Chrome.



As extensões do Google Chrome oferecem ferramentas  úteis para os alunos com necessidades educativas especiais. 

Experimente.  
Consulte aqui o artigo em inglês.


O QUE ACONTECE AO NOSSO CÉREBRO QUANDO LEMOS POESIA





Saiba o que acontece ao seu
 cérebro quando você lê poesia




       Por Jennifer Delgado Suárez, psicóloga
      Poesia são dardos em forma de palavras que vão direto para a parte mais emocional do nosso
 cérebro. Há poemas que despertam um tsunami emotivo real e nos arrepiam, como “A Primeira
 Elegia”, de Rainer Maria Rilke, cujos versos dizem:
“A beleza é nada mais que o princípio do terrível,
Aquilo que somos apenas capazes de suportar,
Aquilo que admiramos porque serenamente deseja nos destruir,
Todo anjo é terrível. ” 
   Rilke descreveu o terror que sentimos quando adquirimos um conhecimento mais amplo, o
 momento em que ficamos mais conscientes de nossas limitações e da complexidade do mundo, e
 percebemos tudo o que não entendemos, conscientes daquilo que nunca iremos compreender.
 É uma possibilidade bela e sedutora, mas também muito assustadora.
A poesia tem a capacidade de enviar poderosas mensagens emocionais e ativar a reflexão, ainda que
 seja certo dizer que o maior prazer que sentimos ao ler um poema, como quando desfrutamos de
 uma obra de arte, não provém de uma reflexão profunda, mas de sensações que nós experimentamos.
 Na verdade, Vladimir Nabokov disse que não se deve ler com o coração ou com o cérebro, mas com
 o corpo.Pesquisadores do Instituto Max Planck de Estética Empírica se propuseram a explorar mais a
 fundo as influências da poesia em nosso
 cérebro, e os resultados de seu estudo são fascinantes.
A poesia gera mais prazer, a nível cerebral, que a música.
Pesquisadores pediram a um grupo de pessoas, alguns liam poesia com frequência, para ouvir poemas
 lidos em voz alta. Alguns dos poemas pertenciam a conhecidos poetas alemães como Friedrich Schiller,
 Theodor Fontane e Otto Ernst, apesar de que foi dada a opção para os participantes escolherem
 algumas obras, incluindo autores como William Shakespeare, Johann Wolfgang von Goethe, Friedrich
 Nietzsche, Edgar Allan Poe, Paul Celan e Rilke.
Enquanto os voluntários escutavam os poemas, os pesquisadores registravam o ritmo cardíaco,
 expressões faciais e até mesmo os movimentos dos pelos sobre a pele. Além disso, quando
 as pessoas sentiam um arrepio, elas eram instruídas a avisar, pressionando um botão.

Curiosamente, todas as pessoas, mesmo aquelas que não tinham costume de ler poesia,
 relatavam calafrios em algum momento durante e leitura, 40% sentiram arrepios várias
 vezes. Estas são respostas similares àquelas que experimentamos quando escutamos música
 ou assistimos a uma cena de um filme que gera grande ressonância emocional.

No entanto, as respostas neurológicas estimuladas pela poesia eram únicas. Os dados mostraram

 que ao tomar contato com os poemas, partes do cérebro usualmente desativadas quando

 expostas ao estímulo de filmes e música foram despertadas.

Os neurocientistas descobriram que a poesia cria um estado que chamaram de “pré-relaxamento”;
 ou seja, que provoca uma reação de prazer gradativo a cada estrofe escutada. Na prática, ao
 invés da emoção nos invadir repentinamente, como quando escutamos uma canção, a poesia
 gera um crescendo emocional que começa até 4,5 segundos antes de sentirmos o arrepio.
Curiosamente, esses picos emocionais ocorriam especificamente em trechos dos versos, como
 no final das estrofes e, acima de tudo, no final da poesia. É uma descoberta muito interessante,
 especialmente considerando-se que 77% dos participantes que nunca tinha escutado um poema
 também mostraram as mesmas reações e sinais neurológicos que antecipavam os focos emocionais
 da leitura.
A poesia estimula a memória, facilita a introspecção e nos relaxa.
Neurocientistas da Universidade de Exeter escanearam os cérebros de um grupo de participantes
 enquanto liam conteúdos diferentes, desde um manual de instalação de ar-condicionado,
 passando por diálogos de novela, até sonetos e poemas.
Estes pesquisadores descobriram que o nosso cérebro processa a poesia de forma diferente
 que a prosa. É ativada uma “rede de leitura” peculiar que abraça diferentes áreas, entre elas, aquelas
 responsáveis pelo processamento emocional, ativadas fundamentalmente pela música.
Eles também perceberam que a poesia estimula áreas do cérebro associadas com a memória,
 como o córtex cingulado posterior e o lobo temporal médio, áreas que são despertadas quando
 estamos relaxados, ou introspectivos.
Isto demonstra que existe algo muito especial na estrutura do texto poético que gera prazer. 
Na verdade, a poesia é uma expressão literária muito especial que transmite sentimentos,
 pensamentos e ideias, praticando síntese métrica, trabalhando rimas e aliteração.
Portanto, não faz mal inserir um poema por dia em nossa rotina 🙂
Texto originalmente publicado no site Rincón de la Pscicología, traduzido e livremente adaptado
 pela equipe da Revista Pensar Contemporâneo.

CONSULTA, NA COLUNA AO LADO DESTA MENSAGEM, NA RUBRICA BIBLIOTECA DIGITAL
 A ENTRADA POESIA E DELICIA-TE COM OS POEMAS RECITADOS QUE ALI PODES ENCONTRAR.


MAIO - Novidades na BE

CHAVE DE ENTENDIMENTO PARA UMA SINFONIA PERDIDA
de Patrícia Reis 

DORES 
de Maria Teresa Horta 

Patrícia Reis / CHAVE DE ENTENDIMENTO PARA UMA SINFONIA PERDIDA
"Uma composição musical é o pretexto para rever a vida e a atitude face ao amor. Como se medem os gestos de lentidão da pessoa que se ama? O que deve permanecer em surdina? Eis mais uma história de amor que, por ser uma história de amor, é diferente de todas as outras."
Maria Teresa Horta / DORES
" Ignorada pelo pai, frio e autoritário, abandonada pela mãe - objecto maior da sua paixão-, a morte da avó rouba aos nove anos de Judite o ultimo dos afectos. A fechar um percurso de violência, ódio e dores, o corpo afogado da menina é encontrado um dia num tanque da quinta de família onde vivia exilada." 

MAIO - Novidades na BE

A CAVALO NO DIABO
de José Cardoso Pires

"Escritor português, José Augusto Neves Cardoso Pires nasceu a 2 de outubro de 1925, no concelho de Vila de Rei, em Castelo Branco. Filho de um oficial da marinha, ainda criança muda-se com os pais para Lisboa, cidade que abraçou e amou.

Exerceu várias profissões, entre as quais, redator de uma revista feminina, Eva, em finais dos anos 40. Em 1949, publica o seu primeiro livro, "Os Caminheiros e Outros Contos", retirado de circulação pela censura."
"Em 1998 sofreu um acidente vascular cerebral, que viria a ser a causa da sua morte a 26 de outubro, em Lisboa. Em setembro desse mesmo ano foi-lhe atribuído o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores. Foi autor de contos, romances, crónicas e ensaios (como em "E Agora José?", 1977) e de peças de teatro (como "O Render dos Heróis" (1960) e "O Corpo Delito na Sala de Espelhos", 1980)."

quinta-feira, maio 28, 2020

MAIO- Novidades na BE

Poesia, Ricardo Reis

de Fernando Pessoa 


SINOPSE
"Reúnem-se nesta edição, as odes publicadas em vida por Fernando Pessoa e por ele atribuídas a Ricardo Reis, assim como todas as outras odes e poemas atribuídos ou atribuíveis a este heterónimo, existentes no espólio da Biblioteca Nacional de Lisboa e, na sua quase totalidade, publicados postumamente."

MAIO - Novidades na BE


As Meninas da Numídia

de Mohamed Leftah 


SINOPSE
"Num bordel de Casablanca, Rosa, Almíscar da noite, Yasmin, pequena Amêndoa, Nectarina e as suas companheiras começam uma noite de trabalho. Muito jovens, de uma beleza que contrasta com a sordidez do local, esperam, sob o olhar dos proxenetas Spartacus e Zapata, que a madrugada lhes traga os melhores clientes, «os homens dos poços». À medida que a noite avança, assistiremos ao perigoso jogo do poder e da sobrevivência e aos ritos de passagem deste universo subterrâneo e claustrofóbico, que alguns tentarão por todos os meios abandonar."

quarta-feira, maio 27, 2020

MAIO - Novidades na BE

CONTOS POLICIAIS
de Fernando Pessoa
"Fernando Pessoa qualificava os seus textos policiais ou policiarios com «contos intelectuais». Começou a escreve-los ainda em Durban, muito jovem, com pseudónimos ingleses. Eram casos estranhos e curiosos, influenciados por Poe e Conan Doyle, e por autores menores, famosos à época. Essas «detective stories» mostravam uma certa apetência por géneros «ao gosto popular»..."

MAIO - Novidades na BE

Lírica de Camões 
4 Tomo I Elegias em tercetos
4 Tomo II Oitavas
5 Tomo I Éclogas
de Leodegário A. de Azevedo Filho



"Luís Vaz de Camões foi um poeta nacional de Portugal, considerado uma das maiores figuras da literatura lusófona e um dos grandes poetas da tradição ocidental. Pouco se sabe com certeza sobre a sua vida. Aparentemente nasceu em Lisboa, de uma família da pequena nobreza."
"A poesia lírica é uma forma de poesia que surgiu na Grécia Antiga, e originalmente, era feita para ser cantada ou acompanhada de flauta e lira (daí o lírica)."
"Na poesia lírica o poeta fala diretamente ao leitor, representando os sentimentos, estado de espírito e percepções dele ou dela. O poema funciona como uma fotografia, registando emoções e sentimentos do "eu lírico", isto é, a voz que se manifesta no poema. Essa voz pode representar o "eu" do próprio poeta (poesia confessional como a de Bocage) ou de outra pessoa ou ser."

MAIO - Novidades na BE

Álvaro de Campos
o engenheiro de Tavira


"Resultado do I Encontro Internacional Álvaro de Campos que decorreu em Tavira nos dias 15 e 16 de outubro de 2010 este livro chega às mãos dos leitores cinco meses depois. A Associação Casa Álvaro de Campos, fundada em 1987, reiniciou a sua actividade em 2010 e tentou desde logo comemorar os 120 anos do "nascimento" do patrono."
"Ora tendo Álvaro de Campos «nascido» em Tavira, era imperioso que Tavira homenageasse e espalhasse os versos do maior poeta português do século XX."

terça-feira, maio 26, 2020

As BIBLIOTECAS POR VALTER HUGO MÃE (Jornal de Letras 15 a 28 de maio)




As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros. Todas as coisas do mundo podem ser chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a maravilha. Os livros são família direta dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar que não se vê. O leitor entra com o livro para dentro do ar que não se vê. Com um pequeno sopro, o leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas. Os livros são toupeiras, são minhocas, eles são troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram, imaginam que mais tarde voltam ao início, a serem como crianças. Os livros têm crianças ao dependuro e giram como carrosséis para as ouvir rir. Os livros têm olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e baixo, o esquerda e direita de cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Querem ver e contar. Os livros é que contam. As bibliotecas só aparentemente são casas sossegadas. O sossego das bibliotecas é a ingenuidade dos incautos. Porque elas são como festas ou batalhas contínuas e soam trombetas a cada instante e há sempre quem discuta com fervor o futuro, quem exija o futuro e seja destemido, merecedor da nossa confiança e da nossa fé. Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra. Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem refilarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se a surpreender. Os livros divertem-se. As pessoas que se tornam leitoras ficam logo mais espertas, até andam três centímetros mais altas, que é efeito de um orgulho saudável de estarem a fazer a coisa certa. Ler livros é uma coisa muito certa. As pessoas percebem isso imediatamente. E os livros não têm vertigens. Eles gostam de pessoas baixas e gostam de pessoas que ficam mais altas. Depois da leitura de muitos livros pode ficar-se com uma inteligência admirável e a cabeça acende como se tivesse uma lâmpada dentro. É muito engraçado. Às vezes, os leitores são tão obstinados com a leitura que nem acendem a luz. Ficam com o livro perto do nariz a correr as linhas muito lentamente para serem capazes de ler. Os leitores mesmo inteligentes aprendem a ler tudo. Leem claramente o humor dos outros, a ansiedade, conseguem ler as tempestades e o silêncio, mesmo que seja um silêncio muito baixinho. Os melhores leitores, um dia, até aprendem a escrever. Aprendem a escrever livros. São como pessoas com palavras por fruto, como as árvores que dão maçãs ou laranjas. Dão palavras que fazem sentido e contam coisas às outras pessoas. Já vi gente a sair de dentro dos livros. Gente atarefada até com mudar o mundo. Saem das palavras e vestem-se à pressa com roupas diversas e vão porta fora a explicar descobertas importantes. Muita gente que vive dentro dos livros tem assuntos importantes para tratar. Precisamos de estar sempre atentos. Às vezes, compete-nos dar despacho. Sim, compete-nos pôr mãos ao trabalho. Mas sem medo. O trabalho que temos pela escola dos livros é normalmente um modo de ficarmos felizes. Este texto é um abraço especial à biblioteca da escola Frei João, de Vila do Conde, e à biblioteca do Centro Escolar de Barqueiros, concelho de Barcelos. As pessoas que ali leem livros saberão porquê. Não deixa também de ser um abraço a todas as demais bibliotecas e bibliotecários, na esperança de que nada nos convença de que a ignorância ou o fim da fantasia e do sonho são o melhor para nós e para os nossos. Ler é esperar por melhor.


MAIO - Novidades na BE

CÂNDIDO
de Voltaire
SINOPSE

Voltaire foi o introdutor de um género de conto que utiliza a ironia para revelar criticamente a realidade do mundo em que vivia: utiliza a ficção como interrogação e os seus personagens agem por vezes em contradição com o senso-comum da época. 


Em Cândido, o seu herói confronta-se regularmente com o optimismo veiculado pelas teorias de Leibniz (o melhor dos mundos possíveis), ou o seu nome não exprimisse precisamente a ideia da candura que o optimismo gera na adversidade através da existência do mal e da justiça divina.